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Super El Niño 2026: por que o fenômeno preocupa a Amazônia?

Super El Niño 2026: por que o fenômeno preocupa a Amazônia?

O clima da Amazônia está diretamente relacionado ao equilíbrio dos seus ecossistemas. Por isso, quando grandes fenômenos climáticos alteram os padrões de chuva e temperatura, os efeitos podem chegar aos rios, à vegetação, à fauna e às comunidades.

Em 2026, essa atenção ganhou ainda mais força com a evolução do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.

Segundo o INMET e instituições parceiras, as condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026 e os modelos climáticos indicam que o fenômeno pode persistir até o início de 2027. Para o trimestre de setembro a novembro, a probabilidade de um evento classificado como muito forte supera 90%.

O que é o chamado “Super El Niño”?

O termo é utilizado para descrever episódios de El Niño de intensidade excepcionalmente elevada. A NOAA estima que o evento de 2026/2027 tenha possibilidade de atingir uma intensidade muito forte, com 69% de probabilidade de ser o mais intenso registrado desde 1950, segundo o painel divulgado pelo Cemaden.

Mas existe um ponto importante: um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade de determinados impactos, mas não significa que todos eles acontecerão necessariamente com a mesma intensidade.

E o que isso significa para a Amazônia?

As projeções para setembro, outubro e novembro apontam para chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média em áreas da Amazônia Legal. De acordo com o Cemaden, esse cenário pode contribuir para o prolongamento da estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.

Os efeitos podem ser sentidos também nos rios.

Um levantamento divulgado pelo MapBiomas mostrou que, durante o El Niño de 2024, 38% das localidades habitadas analisadas na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos da seca. Entre setembro e novembro daquele ano, a superfície de água na região ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica, enquanto as chuvas ficaram 27% abaixo da média.

Os impactos chegam às pessoas

A seca amazônica não representa apenas uma questão ambiental.

A redução do nível dos rios pode afetar transporte, acesso à água, pesca e outras atividades que dependem diretamente dos sistemas fluviais. Em uma região onde os rios funcionam como importantes vias de deslocamento e conexão entre comunidades, alterações no regime das águas podem ter consequências sociais e econômicas significativas.

Em Manaus, o Serviço Geológico do Brasil também divulgou projeções para a vazante de 2026. Os cenários analisados indicam a possibilidade de uma estiagem entre as mais severas já observadas caso o comportamento do rio Negro siga padrões registrados em anos anteriores associados a períodos de estiagem.

Um alerta para a relação com a floresta

Fenômenos climáticos como o El Niño fazem parte da dinâmica natural do planeta. Entretanto, seus efeitos podem ser potencializados quando encontram ecossistemas já pressionados por desmatamento, degradação e mudanças climáticas.

Por isso, acompanhar o comportamento do clima também é uma forma de compreender melhor a importância da conservação.

A Amazônia possui uma capacidade extraordinária de adaptação, mas essa capacidade depende da integridade de seus ecossistemas.

Conhecer para preservar

O cenário de 2026 reforça uma mensagem importante: não existe desenvolvimento sustentável sem conhecimento sobre a natureza.

Entender os ciclos da floresta, acompanhar as mudanças climáticas e investir em ciência e inovação são caminhos fundamentais para encontrar novas formas de utilizar a biodiversidade sem comprometer sua existência.

Na Pharmakos D’Amazônia, acreditamos que a riqueza da nossa região deve ser valorizada com responsabilidade, conhecimento e visão de futuro.

Porque cuidar da Amazônia não significa apenas proteger uma floresta. Significa proteger um sistema de vida do qual todos fazemos parte.

Fontes

INMET, INPE, ANA, Cemaden, SGB, Censipam, INPA, ICMBio e MapBiomas.

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